segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Pyra

Seus sonhos eram envolvidos em chamas, mas ela já estava acostumada.
            Assim era a vida da escolhida. Em terras flamejantes como as ilhas de Neha não existia modos de fugir das chamas eternas. Vulcões cuspiam sua lava constantemente, entretanto, as terras povoadas pelo povo que venerava o fogo nunca foram atingidas. Então, a cada dez anos, uma vida era oferecida como agradecimento à bondade da Mãe por poupar tantas gerações de pessoas que prosperaram naquela localidade violenta.
            Velissa nascera sabendo que morreria, e isto nunca a incomodou. Na verdade, o fato apenas a encorajava a fazer seu melhor para a comunidade. Ajudava sempre a cultivar as melhores frutas, legumes e verduras possíveis naquelas terras vulcânicas e inconsequentes. Era conhecida e gostava da atenção que recebia e dos mimos que lhe enviavam. Bonecos de pano, pinturas e até mesmo rochas raras que sortudos encontravam em escavações. Dizia-se que ser próximo da escolhida era ser próximo da Mãe. Então, Velissa era rodeada de seguidores.
            Gostava da atenção, mas não conseguia apreciar seus momentos mais preciosos: as reflexões que pareciam mandadas pela própria Mãe. Normalmente, Velissa meditava à noite, quando os sons das ondas e as vibrações da terra invadiam seu corpo e a transformavam em algo cósmico, quase etéreo. Sentia-se próxima de sua divindade, da criadora de tudo – e sorria com a plenitude de um bebê se divertindo. Perto das pessoas que a bajulavam, ela só conseguia pensar nos deveres sociais que ela tinha: visitar casas, agradar a todos e orar para as bênçãos da Mãe.
            Sentia-se ansiosa com frequência: qualquer menina de quase dez anos nunca ficaria inquieta ao esperar a própria morte, mas Velissa mal esperava a hora. A cerimônia mudava a cada década, e ela não tinha ideia de como seria seu sacrifício. Torcia para que fosse rápido, mas já tinha aceitado a ideia há anos. De qualquer jeito, ela doaria sua alma para que seu povo sobrevivesse. Aquelas terras, apesar de difíceis, eram prósperas, e não apenas na cultivação de comida, mas as melhores armas eram forjadas pelos ferreiros de Neha. Ao usar fogo direto dos vulcões e águas aquecidas pela lava, os trabalhos em lâminas eram inesquecíveis. Lâminas que destruíram impérios foram construídas ali; estandartes de guerra, a maioria tecido e arquitetado pelos melhores homens das ilhas.
            Mas, além disso, havia as tragédias relacionadas a Neha. Odiavam lembrar-se da queda de Ántique, pois o saqueador que fizera o império arruinar fora um antigo sacrifício. Destacando-se nas artes da magia proibida, Hoodiester Mackeron fugira dias antes de sua morte com a ajuda de lacaios que tinha mantinha sob efeito de manipulação enfeitiçada. A lei sobre a proibição da magia de sangue partiu do Alto Sacerdote das ilhas na época, e foi aceita por todos os continentes, exceto Vorvadoss, um lugar tão misterioso quanto os mitos que o rodeavam. Tendo em vista a imposição de tal norma, Hoodiester foi procurado por todos os lados e, para a infelicidade do povo de Neha, nunca achado.
            Até que a notícia sobre magia de sangue ter sido usada em Ántique, ninguém ouvira falar de Mackeron de novo.
            Por este motivo, as ilhas de Neha eram quase um mito que as pessoas fizeram questão de esquecer. Apesar de alguns aventureiros ainda encontrarem o caminho entre as cadeias vulcânicas e tempestades fortes que rodeavam as porções de terra habitadas, sua cultura ritualística e religiosa tinha sido banida dos continentes.
            Velissa, por sua vez, não ligava se sua casa fosse alvo de zombarias ou lendas mentirosas. Seu único propósito era dar sua vida para a Mãe, e ela faria como lhe foi destinado. Seus sonhos eram banhados em luz alaranjada e labaredas que chamavam seu nome – então, ela presumia que seria queimada. Uma honra e tanto, orgulhava-se a garota, ter sua alma banhada pelo elemento que ela tanto se identificava.
            Certa noite, escapuliu de sua moradia para ir até a praia. Um grande vulcão, conhecido por Ylkmaliu, antiga palavra para titã, parecia babar lava enquanto sua fumaça subia ao céu escuro. A lua estava alta, iluminando as nuvens, onde os raios vermelhos logo começaram a aparecer, um espetáculo único das ilhas. Uma tempestade se formava, e com a graça da Mãe, não tocaria o solo onde morava. Mesmo se tocar, pensou, seria um evento maravilhoso. Velissa só tinha medo de não sobrar uma única pessoa para contar a história depois.
            Mas que morte incrível seria!
            Acreditava que a Mãe ficaria satisfeita caso todos se sacrificassem ao invés de somente ela, mas não poderia esperar isso de seu povo. Ela foi escolhida – ela, e mais ninguém durante os dez anos de sua vida. Era um pensamento egoísta, mas sabia que teria o perdão da Mãe assim que se curvasse à Sua presença divina. Um pouco de egoísmo não faria mal a alguém que estava prestes a morrer.
            A paisagem tempestuosa durou a noite toda, e ali Velissa ficou, sem nem perceber a passagem do tempo. Os trovões eram como monstros lendários rugindo, e a breve erupção fazia parecer que o próprio mundo chorava lágrimas vermelhas, sangue puro, eterno, imortal. Como ela seria assim que se despedisse daquele mundo. Não teria o material que tanto importa para alguns – não, aquilo era absurdo. Não teria o corpo que adoece e morre. Ela seria pura energia, puro cosmos. Uma estrela ao lado da Primeira Estrela. Um ponto infinito num céu de pura beleza universal.
            Sua morte resultaria na vida de centenas, e ela estava feliz com isso.


Um barco esperava ancorado à praia na manhã de seu décimo aniversário de vida.
            Sua casa amanheceu rodeada de pessoas: crianças, adultos e idosos fizeram um caminho de terra escura e pedras brancas até beira-mar, um ritual para honrar o sacrifício daquela boa alma por mais uma década de próspera existência daquela comunidade. A terra significava o mundo físico, tudo que Velissa deixaria, enquanto as pedras eram o infinito, o inquebrável, a eternidade que ela passaria ao lado da Mãe. Emocionada, a jovem saiu de sua residência, acompanhada do Alto Sacerdote, a caminho do barco.
            Despediu-se dos pais com um abraço apertado, mas Velissa não chorou. Não se permitiu. Estava feliz demais para deixar qualquer tipo de sentimento ruim tomar conta de seu coração orgulhoso. Acenava para as pessoas, que tentavam toca-la, pega-la; olhos marejados enviavam suas condolências, preces silenciosas com gestos de cabeça agradeciam-na, e ela retribuía estes pequenos atos de gratidão com sorrisos plenamente felizes.
            A embarcação, pequena e singela, possuía lugar para apenas mais duas pessoas: ela e o Alto Sacerdote. Normalmente, segundo as histórias contadas, os sacrifícios eram feitos na ilha principal, mas, pelo jeito, aquela não era uma ocasião comum. Talvez tivessem considerado sua total devoção e optaram por um sacrifício especial. Velissa sentia-se arrepiada e trêmula, e ao entrar no barco, começou sua própria oração de agradecimento à Mãe pela oportunidade de viver para fazer da Sua vontade uma realidade. Ela não olhou para trás conforme o barqueiro remava, pois sabia que não aguentaria segurar seus sentimentos.
            O mar estava calmo, uma benção divina, certamente. Velissa pôde até ver alguns animais marinhos seguindo o barco, como um casal de golfinhos que a acompanhou até que eles se aproximaram da ilha abandonada onde o Ylkmaliu se encontrava. Ancoraram, e pela primeira e última vez ela viu a majestade completa daquele vulcão: quilômetros de diâmetro de uma extremidade até outro de sua boca, dezenas de metros de altura, feito de rocha escurecida, assim como toda a areia do local. Fumaça saía de seu interior, mas ele ainda não começara a cuspir sua magnifica lava.
            Estava temporariamente adormecido, dizia o Alto Sacerdote, e eles escalariam todo seu corpo até o mais próximo da boca possível, onde o ritual seria realizado. A ansiedade tomou conta de seu corpo, e foi-lhe entregue a roupa que ela deveria usar a partir do momento da subida: um vestido comprido, de mangas dobradas até os cotovelos, de um tom sutil de bege. Como foi ordenado, ela vestiu a peça, sentindo-se cada vez mais próxima da Mãe. E assim que o sol se posicionou exatamente sobre suas cabeças, a ascensão começou.
            Durante a tarde toda, o Alto Sacerdote e Velissa subiram, um silêncio religioso reinando entre ambos. Apesar de estar ofegante, ela não pediu para pararem uma vez sequer – seu compromisso era maior que seu cansaço físico. As panturrilhas ardiam à medida que ela começou a ver a boca do vulcão, e seu ânimo de andar voltou. O Sacerdote encontrava-se mais para frente, aparentemente bem com a subida desconsiderando sua idade, e a jovem o alcançou, um sorriso inquieto em seus lábios mostravam que sua mente estava trabalhando nas formas em como seu sacrifício seria realizado.
            Enfim, chegaram à boca do Ylkmaliu. A fumaça estava bem mais densa ali, e a outra extremidade era impossível de ser vista. Os pés descalços de Velissa sentiam o calor das rochas vulcânicas, e aquele fogo parecia crescer dentro dela como um incêndio florestal se alastra com a mais leve das brisas. Ela estava prestes a entrar em combustão de dentro para fora, e sentia-se incrível!
            O Alto Sacerdote posicionou-a na sua frente, de olhos fechados, com uma mão em seu ombro e a outra sobre seu coração, recitando as preces antigas da Mãe. Velissa acompanhou, pois estudara e aprendera o arcadismo da fala de seus ancestrais. Depois de vários minutos, ele beijou-a na testa, os olhos agora abertos e marejados, deixando as lágrimas fluírem para aquele solo destrutivo e purificado. Ela chorou também, pois aquela era seu penúltimo gesto de devoção à Mãe.
            Então, o Alto Sacerdote explicou o que ela teria de fazer. Com o coração pulsando feito o de um peixe fora d’água, ela apenas assentia. Mal percebeu quando ele parou de falar e deu passos para trás, deixando-a encarando uma longínqua silhueta do último homem que ela veria. Velissa, criando coragem, se virou em direção à boca do vulcão. Respirou fundo, sentindo a inebriante fumaça tomar conta e intoxicar seus pulmões. Ela segurou suas tosses, e à medida que andava para frente, sua mente parecia brincar com a realidade ao seu redor.
            Velissa via vultos de seus pais e de todos que a cercavam porque acreditavam que ela traria sorte. Viu seus sonhos flamejantes se tornarem o fato mais real possível. Havia veracidade naquele ato. Ela realmente estava prestes a morrer por vontade própria – ela se sacrificaria para que pessoas que ela nunca conheceu bem o bastante para gostar sobrevivessem. Velissa percebeu, naquele momento, que não tinha mais volta.
            Ela olhou para trás, e não viu o Alto Sacerdote. Chorou e sentiu que seu rosto estava sujo de cinzas. Suas lágrimas evaporaram antes de tocar a beirada da boca do Ylkmaliu. Lá no fundo, dezenas de metros no centro daquele monstruoso vulcão, havia uma piscina citoplasmática de magma, o mais puro, vivo, imperdoável e ardente magma que ela já vira antes. As borbulhas eram quase como olhas que piscavam, esperando engoli-la por inteiro. Naquele momento, Velissa soube que morreria sozinha.
            Não poderia ficar pensando demais. A Mãe esperava por ela, e ela esperava para encontrar a Mãe. Abriu os braços, sentindo como se uma repentina brisa soprasse todas as toxinas da fumaça vulcânica para longe da jovem. Velissa não fechou os olhos quando amoleceu seu corpo, permitindo que seus dez anos de vida caíssem boca adentro. Assim que atingiu a lava, foi envolvida e em milésimos de segundos, a morte mais indolor possível coletou seu corpo desintegrado.
            Porém, sua alma ascendeu, e uma nova estrela piscou aquela noite. Velissa encontrou sua Mãe celestial, e ao ver a devoção que aquela oferenda trazia, Farolja, o nome original da entidade eterna conhecia por Mãe, decidiu consagrar uma nova identidade para a jovem garota que se sacrificara para o bem de seu povo.
            Velissa foi renomeada. A partir daquela noite em que a Estrela Alfa ganhou mais uma companhia em seu eterno manto cósmico, Pyra brilhou uma longínqua luz avermelhada. Pyra, Protetora do Fogo, Patrona das Lareiras, Chama que Ilumina e Aquece, Labareda de Esperança, Brasa da Eternidade.
         Seu conhecimento foi colocado em poucas mentes que, em eternidades por vir, passariam a história da mais nova divindade a se juntar ao eterno amor e ódio da Mãe. Velissa – agora Pyra – era a mais nova deusa daquele infindável panteão.

O Andarilho Amargurado

À luz da última vela, a avó cobriu sua neta com o manto. Tinham pouco, e por mais que a vida fosse difícil, a garotinha sempre possuía um sorriso esperançoso de que tudo fosse melhorar. A terra era árida e pobre, as pessoas, cabisbaixas. Os animais não sobreviviam, tampouco a vegetação, espinhosa e agressiva. De qualquer modo, ela prometera a si mesma que não perderia o calor em seu coração e a vontade de ver todos que conhecia sorrirem como ela.
            - Conte uma história, vovó. – Pediu a neta, sonolenta.
            - Qual você quer ouvir hoje, pequena?
            - Alguma que a senhora nunca me contou antes. – Ela estava animada, pois sempre tinha sonhos fantásticos depois das histórias de sua avó.
            A senhora pensou por alguns instantes e algo pareceu estalar em sua mente. Ela respirou fundo, seu olhar pareceu pesar, e, encarando sua neta, ela começou:
            - Há muito, muito tempo, um homem casou-se com uma mulher. Ele possuía um lado que ninguém conhecia; ela, uma doença que em breve a mataria, mas deixou em segredo. Foram felizes nos primeiros anos, até a enfermidade começar a atacar. Ele começou a se desestabilizar: a bebida era seu refúgio, e toda noite o homem chegava agressivo e culpando a esposa da desgraça que estava começando em suas vidas. Ela não conseguia mais fazer os serviços de casa ou sair para cuidar do jardim. Ele não vivia sem a mais vagabunda bebida, alterando seus pensamentos e seu comportamento. Às vezes, quando a esposa rebatia suas palavras com lágrimas inchando seus olhos, ele batia nela, marcando sua pele, cicatrizando sua alma.
            “Um dia, ela descobriu que estava grávida. Não contou ao esposo, pois não sabia qual seria sua reação. Manteve em segredo, aguentando em silêncio toda a agressividade do homem que ela tanto amou. Mantinha-se deitada na maioria do tempo, apenas levantando-se quando precisava ir ao banheiro. Ele não a ajudava, por mais necessitada que ela estivesse. Sozinha, ela passou mal, aguentou as dores, até que não pôde mais esconder. Ele surtou. Culpou-a de ter feito aquilo para segurar a relação, e o resto de humanidade naquele homem fez a última ameaça: “Quando este bebê nascer, mato tu e ele. ”
            “Porém, sem condições de fugir, ela aguentou a gravidez, correndo risco de morrer a qualquer hora. Por outro lado, estava em paz. Sabia que nada era culpa dela e que ela não o fez de propósito. Mas algo a importunava. O fruto de um amor violento e agressivo daria no que? Temia pela vida da criança. Torcia para que os deuses iluminassem o coração do esposo no momento em que parisse aquele filho ou filha. E, durante os nove meses, ela dormia sozinha, comia sozinha, sofria sozinha. Aguentava as dores da doença, da solidão, da mente que inventava coisas e a preocupava.
            “Então, ela finalmente pariu. Um belo garoto nasceu, e o tempo foi específico para que ela visse seu pequeno rosto e falecesse. Naturalmente, perdera muito sangue, deixando o esposo agressivo com aquele menino recém-nascido. Algo mudou no homem, mas não para melhor, como era esperado. Ele maltratava o filho, forçando-o a trabalhar desde pequeno para suprir os vícios do pai. O jovem, cabisbaixo e sempre amedrontado, apenas aceitava as surras e os golpes do pai. O que faria? Não tinha força ou vontade de revidar.
            “Quando se tornou adolescente, tomou uma decisão. Sentia que, em seu coração, estaria fadado a sofrer com o pai até o fim dos dias, então, fugiu de casa. Por meses ele andou olhando para trás, preocupado com seu pai, esperando que ele viesse atrás. Mas, à medida que os anos foram passando e ele se distanciava cada vez mais de sua casa, sua esperança morreu. O pai não ligava para ele, devia ter agradecido aos deuses que aquele fardo de filho fora embora. Sentiu um pedaço de sua alma quebrar, como uma fina porcelana. Não conhecera sua mãe, e agora estava sozinho, como sempre se sentiu desde quando podia lembrar-se.
            “Tornou-se homem de rua. Não tinha casa, comida ou conforto. Dormia em sarjetas, em montes de lixo, em urina e fezes de animais. Passava frio e calor. Doenças se tornaram parte de seu dia a dia. Ele fedia, estava esquelético, sujo. Sua barba crescera exponencialmente, escondendo quase seu rosto todo. Seu cabelo era um ninho desgrenhado, onde moscas pareciam desovar suas crias esquálidas. Não tinha amigos, e por onde passava, era como uma sombra que todos evitavam. Ninguém o olhava ou o notava. Era ninguém, como sempre fora. Mas quando estava no auge de uma forte tuberculose, olhando para baixo como acostumara-se a fazer, viu a sombra de uma mão em sua direção. Pela primeira vez em sua vida, ele olhou para cima.
            “E ali estava ela. Uma doce donzela, seu vestido delicado e cabelos como caracóis, de mão estendida para aquele desgraçado sem-teto. Ele não aceitou, mas ela insistiu, agachando-se na altura dele, ficando cara a cara com aquela escória humana. Seu coração batia forte, e ele sentiu que estava vivo quando, finalmente, decidiu ceder à moça. Sua pele era macia, diferente da dele, áspera como uma rocha desgastada. Ele tossia conforme andava próximo a ela, o sangue respingando de seus lábios, suas roupas imundas – enquanto ela, uma divindade, plena, radiante. Levou-o até sua casa, onde cuidou dele, como se ele significasse o mundo para si. Cortou sua barba e cabelo, lavou seu corpo, tratou sua doença. Amou-o. Ele era outra pessoa depois de alguns meses. Ele aprendeu a sorrir, e sorria para sua amada. Começou a trabalhar e a ser alguém, mas, no fundo de seus pensamentos mais sombrios, sabia que não iria durar.
            “Então, quando o tempo passou e ele percebeu que sua aparência não mudava como a de sua donzela, começou a se interessar por leitura. Ela o ensinou, e parecia não se importar com a diferença de idade que pareciam ter um do outro. Por semanas ele ficara vidrado nos livros, até que descobriu uma antiguíssima lenda onde uma deusa amaldiçoara um humano por ter traído seu amor. A consequência era ser sempre sozinho, viver enquanto todos ao seu redor morriam. A história acabava sem tradução completa, mas foi o suficiente para ele saber que, de algum modo, ele possuía aquela maldição. Arrasado, contou a sua esposa, que o acalmou com seu amor e carinhos eternos.
            “Mas até mesmo eternidade não era para sempre, e ela adoeceu quando chegou em idade avançada, enquanto ele ainda era um jovem homem. Sofreu em silêncio à medida em que sua amada piorava, e, consequentemente, morria em seus braços. O último suspiro dela foi um sorriso e um olhar apaixonado, e sua vida escapou por entre os dedos do seu esposo, que se encontrava em um estado inconsolável de desolação. Por dias ele ainda segurava seu corpo frio, beijando seu rosto antes delicado e rosado, agora duro e pálido.
            “Não conseguindo lidar com a dor insuportável, decidiu terminar sua vida. Com uma faca, esquentou sua lâmina de ferra na lareira, e sem pensar duas vezes, cravou o objeto no peito, abrindo um buraco onde estaria seu coração. Com a mão, tirou o órgão, vendo-o pulsar em tempo real. E, para seu infortúnio, ele não morreu. Tentava esmagar seu coração com as mãos, até mesmo esfaqueou-o, mas nada parecia funcionar. Por fim, jogou-o no fogo da lareira, onde ficou, sem queimar. O buraco em seu peito continuou sem fechar, uma constante dor que sim, seria eterna. Ele saiu da casa e começou a vagar pelo mundo com apenas um pensamento que o fazia sorrir de desgosto:
            “Nem mesmo a Morte me quer.
            Aquela noite, a garotinha não teve sonhos fantásticos. Sonhou com nuvens negras e melancolia. Nunca mais quis ouvir histórias de sua avó. Cresceu e se tornou uma mulher amarga, sempre se lembrando da tenebrosa história do Andarilho Amargurado. Nunca contou aquela lenda novamente, pois não queria que ninguém se tornasse o que ela se tornou. Em seu leito de morte, recebeu uma visita encapuzada, que sorria de um jeito malicioso, como se toda a felicidade tivera sido sugada de seu interior.

            Ele sussurrou algo em seu ouvido antes de ir embora, e ela morreu com esse segredo. O Andarilho cruzara seu caminho, e ele disse: A lenda é real.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Leveza

Por ser leve,
De leve,
Te levei,
Comigo.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Poesia despida.

Ela despe o corpo e a alma com a mesma sintonia, é a nudez poética de um corpo que transborda poesia. Ela é poesia. As curvas dela são rimas ricas cheias de musicalidade. O lirismo dela está estampado em desenhos sobre sua pele. Ler cada sarda em seu rosto como os mais lindos versos já escritos. Nem uma sereia resistiria aos encantos dela, cantaria o som da risada dela, sonharia com ela. Sonhá-la é tão fácil...

Você.

Te conheço tão pouco,
te escrevo tanto,
te sonho demais.

Você em cores.

Eu sou azul enquanto você está aí sendo vermelho em seu universo particular.
Quando a vida amanhece amarela e eu adormeço cinza, você sorri. É quando o meu azul toca o seu vermelho e juntas somos nuances em lilás.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Desaparecer.

Essa noite fui dormir e seu cheiro tomou conta do meu quarto por um segundo inteiro. Paralisei. Não conseguia entender de onde ele tinha vindo e nem o porquê de ter ido embora, como você. Tive pesadelos de novo.
Senti falta do pedaço de mim que decidiu ir embora com você. Não vou mais ser inteira, não vou mais ser a mesma.
Tô desbotando tão rápido, não vai demorar para eu desaparecer. Aquela menina que ficou gravada no fundo dos seus olhos sempre que eles se demoravam em mim, cuide dela. Abrace e aconchegue-a, ela é tudo o que restou de mim, me afoguei tentando me salvar da dor, desapareci.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Eu, dona de mim

Eu nunca vou ser tanto de alguém, quanto sou de mim. Aprendi que não preciso de ninguém além de mim mesma, para viver. Quem melhor que eu, para conviver comigo, me entender? Mas, existe muito de mim em mim. E por ser tão minha que eu te digo com essa convicção toda, eu quero sim ser tua. E eu sou. Eu sou um pouco tua sempre que eu viro um sorriso teu, você tem mais um pouco de mim sempre que eu passo pela tua cabeça.
Eu gosto da minha calmaria, da minha confusão interna, da forma com que eu sinto, e eu sinto, sinto tanto que chego a sentir muito, sentir demais, mas não mudaria isso em mim, meu maior defeito é ao mesmo tempo a minha maior qualidade. Sinto tanto você, sendo você. Algumas vezes, sinto tanto por você.
Somos tão distintas, tão distantes, tão únicas. Mas já há vários pouquinhos de mim em você. Existe um pedacinho de mim em você quando você dorme sem camiseta, ou também, quando dorme abraçada com a minha camisa, quando gosta de me assistir dormir. Isso sempre vai ser vários pedacinhos de mim sendo sua. Nesses momentos você deve sempre lembrar que eu, sendo eu, sendo minha, não deixo de ser um pouco sua, e eu estou amando você, ser aceita por você, absorvida cada dia um pouco mais, por você.  É boa a sensação de ter com quem dividir esse tanto de eu que existe em mim. Eu sou grata à você por se importar, por me acompanhar, por ficar, por permanecer, por me desconstruir, me ouvir, gostar dessa minha calmaria e respeitar por eu não saber ser tão leve quanto você, por se doar todo dia um pouco mais para mim, por me ver diferente do que eu sempre me vi e tentar me mostrar que eu não sou só o ruim que eu sempre aceitei que sou. E eu nunca vou ser tão eu se eu não assumir que quero ser tão tua. Eu amo você, e com isso, aprendo a me amar cada dia mais.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Após uma semana

Hoje, fez uma semana que te vi pela última vez, que te abracei, que rimos uma para a outra. Hoje, fez uma semana que te vi fazendo meleca com qualquer coisa que você estivesse comendo, e achei bonitinho, como todas as outras vezes. Hoje, fez uma semana desde que decidi que não adianta insistir, que não tem mais volta, desde o último adeus. E mesmo assim, hoje, fez uma semana que te espero voltar todos os dias. E que mesmo distante, em silêncio, sua presença me visita e suas músicas me preenchem de você. Com todo esse finito de ti, ainda sim, hoje fez uma semana que ainda estou aqui, por quanto tempo mais eu vou ficar? Hoje, fez uma semana que eu sonho todas as noites, ainda não chorei, não sei quanto tempo mais vou conseguir evitar, só queria não te amar. Tudo que sei é que hoje, fez uma semana que parti do melhor que existia em mim.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

O universo em você

Só consigo pensar em me desculpar. Me desculpar por tudo. Pela teimosia, chatice, por te amar tão depressa, tão sem querer e tão intensamente. Só não me desculpo por ser tão puro, verdadeiro e inteiramente seu. Me deixei te querer de corpo e alma, sem esperar nada em troca além de poder te ver sorrir.
Gosto tanto das estrelas que vivem nos seus olhos. Elas parecem animar-se e iluminar sempre que olho para você, elas sempre sorriem. Dizem que esse evento é o dilatar das pupilas, prefiro achar que são suas estrelas aparecendo por estarem felizes em me ver, pois sempre apareciam para mim, sorrindo.
Você toda é um universo tão misterioso, curioso, tão parecido com o meu. Isso a torna interessante, irresistível e viciante. Me apaixonei por cada constelação que vive em você, como pintas pelo seu corpo, cada caos criado pelo buraco negro que habita sua mente, cada super nova que escorre pelos seus olhos em forma de lágrimas, a poeira cósmica que vive no seu rosto, são chamadas sardas, e essa poeira é tão encantadora quanto o calor do sistema solar que existe no seu coração.
Não queria ter me apaixonado por um universo tão distante de ser minha realidade, mas, cada vez que me pego sorrindo, é para você. Cada segundo que passe, mesmo longe, só sei te pertencer. Então só consigo pensar em me desculpar, e dizer que te espero. Espero pelas estrelas dos seus olhos, espero que um dia você possa vir a ser um universo inteiro, para mim.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Como ser fumaça


Eu tô bem, mas na verdade, não sei mais como fazer para respirar. Eu tô sorrindo, enquanto aqui dentro, só faço chover. Tô engasgada com o gosto meio amargo de cigarro da sua boca. E eu também tô quebrando aos poucos, virando pedaços em cada marca sua deixada em mim.
Você sempre foi como fumaça, linda, sempre ao meu redor, sempre deixando seu cheiro como lembrança, misteriosa, sempre partindo. Nunca consegui te alcançar, mesmo quando te tinha nas mãos, tive que me acostumar com você escorrendo pelos meus dedos. E eu te amei, mesmo sendo fumaça e dissipando-se sempre que se sentia assustada, eu preferia te amar na sua forma livre, feliz, como fumaça, vez ou outra ao meu redor, em minhas mãos, em mim. Até você descobrir sobre o amor que sempre esteve ali e sumir no ar.
Então, eu tô bem, mesmo não conseguindo mais te respirar, ou sentir o calor da tua fumaça no frio da minha pele, mesmo sem te ver ser fumaça distraída brincando de desenhar universos só teus. Teu caos, tua arte, vão deixar o aroma da lembrança impregnados em mim, e eu sigo bem, sorrindo.

quarta-feira, 16 de março de 2016

A luz no fim do labirinto

Não sei por onde começar, talvez eu só queira te agradecer. Por me aceitar, me ajudar, me amar. Por fazer isso de graça, fazer porque quer e não por esperar algo em troca.
Então, obrigada! Obrigada por fazer-se presente, por ver toda minha confusão e mesmo assim ficar, por cuidar de cada dor e ouvir sobre cada uma delas, por menor que elas possam ser. Eu sinto que encontrei em você um irmão de alma, pois minha alma se sente bem perto da sua, e ela te ama, assim como eu. E eu não digo que te amo só por dizer, eu sinto, e sinto o tempo todo, e sinto também que não quero nunca te deixar ir. Sinto que nossa amizade resistirá ao fim das eras, do universo, ao fim do tempo. Esse amor ainda vai viver, você nunca vai morrer de mim.
Você me faz bem e me fazer bem é o que está em discussão, então vou agarrar meus momentos bons e fazer com que eles colem meus pedacinhos, para que eu possa ser inteira e te devolver toda a paz que você me dá. Talvez, quando eu me fizer inteira, eu possa te mostrar de uma forma esclarecedora o quão incrível você é. Espero te fazer ver com os meus olhos como realmente te vejo. Quero que você veja toda a luz, a mágica, o amor e o carinho que sinto vir por trás dos seus olhos.
Eu prometo te deixar me dar a mão e me guiar para fora do meu labirinto, juntos. E assim que sairmos vou mover qualquer montanha que estiver no meu caminho para te alcançar, e quando eu chegar até você vou te oferecer a minha mão para te guiar e te tirar do seu labirinto, você é minha luz e eu vou ser a sua, e sairemos do que for juntos, sempre juntos.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Notas sobre você

Meu amor, como não começar essas pequenas notas sobre você com um leve exagero? Se exagero eu sou da cabeça aos pés, como o meu gostar de você poderia ser um gostar controlado, pacífico, sem graça? Não poderia e não é.
É um gostar que me transborda, me tira o fôlego, dilata minhas pupilas, me deixa sem palavras. Me diz, que tipo de gostar pacífico consegue deixar uma pessoa que respira, que vive palavras, sem as tais? Nenhum.
Gosto de todo esse sentimento, de todo o teu caos, teu ciúmes, dos sorrisos soltos, dos risos, dos olhares pelo canto dos olhos, dos beijos no meio das conversas, de dividir a cerveja só porque eu quis sair de casalzinho, de dormir abraçada, e de ser puxada para virar e te abraçar também quando você muda de posição durante o sono, de você preocupada até dormindo "não coça, machuca", de você distraída fumando, e da sua fumaça distraída criando um universo todo seu, de deitar no seu peito e te ouvir respirar, ouvir seu coração bater, te abraçar, e na sequência do meu abraço você tragar e dizer "não tem nem como fingir que você não é de touro, me abraçando assim", seu jeito simpático de dizer que sou carente.
Mas de todas as coisas que eu gosto em você, de tudo em você que faz o meu ser flutuar, a melhor sensação é te ver chegar. Nesse segundo que te vejo vir tudo acontece de uma só vez. Meu coração perde o rumo, eu esqueço como é respirar e que eu preciso respirar, meus olhos são tão teus que não sei ver nada além.
Aí você sorri.
E é como morrer e viver ao mesmo tempo, perco a fala, as palavras somem de mim e eu só sei sorrir de volta, e ansiar por te beijar até que o mundo deixe um dia de ser mundo.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Não entre no trem

Adeus! Ela disse adeus. Eu não queria que ela fosse, não queria deixá-la ir, não. "Sentir falta dói", eu queria dizer, na verdade, queria chorar, porque só de pensar doía, como eu poderia me acostumar? Na verdade, seria fácil se eu quisesse, mas eu não queria, eu não quero, eu nunca vou querer.
Porque eu sei, ah, como eu sei! Sei como é deixar-se esquecer, ser esquecida. Não acontece rápido, muito pelo contrário, é um longo e doloroso processo de fragmentação. Não quero minha amizade virando pó e sendo soprada ao vento, por favor, não nos creme assim.
Tanta gente já entrou nesse trem com a promessa de que voltaria, que iria lembrar, mas acabaram envolvendo-se com a viagem, as paisagens, tantas distrações... a distância começa a solidificar-se, altos muros, tantos obstáculos! Eu não consigo alcança-los, não consigo subir tão alto para pula-los. Eu tento tanto, insisto tanto, nado tanto, morro na praia.
Esse trem sempre estilhaçou minha alma, por tantas vezes tentei destruir seus trilhos, todas em vão. Um dia não vou sentir mais quando ele vier para levar alguém para longe, um dia, quem sabe, eu vá partir, partir para longe de mim. Vou me olhar no olhos, já cansada de mim, e dizer:
- Já aprendi a me perder, agora, é a sua vez.
Um dia, vou partir de mim por inteiro no mesmo trem que sempre me levou aos pedaços.

Maré

Muitas vezes comparo-me com a maré, mas sinto que diferente dela, minhas marés altas são passageiras, como um sonho bom. Sinto-me mais familiarizada com a maré baixa, dias iguais, vazio. Mas, ainda sim, algumas vezes o mar insiste em ficar turbulento, águas escuras como a noite, tão frias, mais frias do que a própria solidão.
Nesses dias o sol não ousa brilhar e a escuridão se torna intensa e infinita. Tantas ondas, tantos cortes reabertos, feridas sangrando noite, frio. Não deixe ninguém entrar no mar, não se afogue! Não deixe ninguém se afogar. Pessoas sempre se afogam.
Será que algum dia alguém vai nadar contra essa noite, lutar contra a maré? Mergulhar fundo, de cabeça, trazer a lua e as estrelas para dentro da noite, abraçar o mar e esquentar todo o frio da solidão?
Bom, querido alguém, fique. Se for para iluminar minha noite com suas estrelas, fique. Se for para aquecer minhas águas com seus abraços, te peço, fique. Não ouse vir, me mudar e ir, não traga-me a luz se vai deixar-me no escuro, não faça chover.
Alguém, se fores mudar-me, monte um cais, bagunce meu caos, mas fique.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Doce suicídio

Sentir sua falta queima, queima ao ponto de deixar-me fria, congelar-me. Ultimamente tenho tentado não pensar sobre isso, mas nossa distância nos faz tão próximos que fica impossível não lembrar, impossível não fazer com que a sua ausência não se torne presença. Não quero deixar essa amizade escorrer por minhas mãos, não deixarei que a morte nos leve para o esquecimento, por mais que nós dois a admiremos, eu não vou deixar-nos virar pó.
Eu amo você, sua voz, seus abraços, seus dedos nos meus, seu jeito de me acalmar, suas crises existências, seus porres alcoólicos, seu drama tão igual ao meu. Eu amo você por completo, e por completo é meu amor por você.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Equalize.

"Às vezes se eu me distraio, se eu não me vigio um instante, me transporto pra perto de você. Já vi que não posso ficar tão solta, me vem logo aquele cheiro, que passa de você pra mim, num fluxo perfeito. Enquanto você conversa e me beija, ao mesmo tempo eu vejo as suas cores no seu olho tão de perto. Me balanço de vagar, como quando você me embala o ritmo rola fácil, parece que foi ensaiado. E eu acho que eu gosto mesmo de você, bem do jeito que você é. Eu vou equalizar você, numa frequência que só a gente sabe, eu te transformei nessa canção pra poder te guardar em mim.
Adoro essa sua cara de sono, e o timbre da sua voz, que fica me dizendo coisas tão malucas, e que quase me mata de rir quando tenta me convencer que eu só fiquei aqui, porque nós dois somos iguais. Até parece que você já tinha o meu manual de instruções, porque você decifra os meus sonhos, porque você sabe o que eu gosto, e porque quando você me abraça o mundo gira de vagar. E o tempo é só meu e ninguém registra a cena, de repente vira um filme todo em câmera lenta, e eu acho que eu gosto mesmo de você, bem do jeito que você é."

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Tempo pra nós

Deixar o tempo falar o que vai e o que não vai mudar, dói. E só dói porque eu não paro de pensar. Não paro de pensar em mim, em você, e no que viria a ser de mim sem você, caso o tempo julgue e decida que assim tem que ser.
Eu não sei mais pensar em mim sem ter você, acho que a vida não seria justa, e eu voltaria a ser infeliz. Passei três anos presa a uma dor e tantos medos, que você conseguiu aliviar só de estar por perto. Gosto de tudo em você, cada pequena coisa, pequena mania, não trocaria nada, nem um fio de cabelo seu.
Espero que o tempo não a tire de mim, porque você é a melhor coisa que já me aconteceu.

sábado, 7 de setembro de 2013

Cantiga pra não morrer.

"Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
Moça de sonho e de neve,
me leve no esquecimento,
me leve." Gullar, Ferreira. 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Sorri para mim


Aquele sorriso, aquele sorriso para mim, que aparece quando falo alguma bobagem, quando faço alguma gracinha, quando apenas está olhando para mim e sorri. O meu sorriso.
Por tantas que já passaram por sua vida, e por todas que ainda vão passar, esse sorriso vai ser meu, eterno, enterrado no meu peito, porque ele está gravado em mim, porque ele é a essência de nós duas.
Posso brincar que quero te bater, fazer drama, manha, mas tudo o que eu mais queria era poder acordar ao seu lado e ver o seu sorriso como o meu primeiro pensamento do dia, e poder dormir com esse mesmo sorriso ao anoitecer. Parece bobo, mas é tudo o que eu mais quero para agora, você e esse sorriso que ilumina o meu dia.
Aquele sorriso sacana de quem acabou de falar uma sacanagem para me deixar corada, aquele sorriso que você solta quando faz aquela carinha de sínica que eu tanto adoro. Eu poderia ficar olhando para você e para o seu sorriso o dia todo sem medo, sem me cansar.
Falta tão pouco tempo para eu ter esse sorriso pertinho de mim, mas parece que o tempo não passa, eu não tenho sono, eu não tenho nada, só você sorrindo na minha cabeça, sorrindo pra mim, o meu sorriso.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Chove, chuva


Tira minha respiração, me deixa sem jeito, sem o que falar, coloca cor nas minhas bochechas só com um olhar, isso é o que eu mais gosto em você, essa intensidade, essa necessidade, essa saudade. Sei tão pouco de você e já causa tanto em mim, tanto estrago, tanto pensamento, tantas vontades, tanta confusão, tanto carinho, tanta necessidade. Você vai acabar comigo sem nem saber, e é o que eu quero, é o que eu precisava, era o que eu estava esperando, quem eu estava esperando.
Tão doce, tão má, tão destrutiva, tão viva.
Essa risada, esse sorriso, esse jeito de jogar o cabelo pro lado, a maneira com que fala que eu vou ficar bem, que a chuva já vai passar e que mesmo longe você está aqui e nada vai me acontecer, que é para eu ficar tranquila.
Você é como a chuva, só que com olhos verdes. Porque seu poder de estrago é o mesmo, e logo depois vem o arco-íris, a parte que me encanta, poderia facilmente me apaixonar.
Então vem me deixar irritada, intrigada, apaixonada, abobalhada, corada, me faça te obrigar, porque é o que eu quero, que tudo isso aconteça, enquanto eu puder estar do seu lado. A chuva não vai mais me amedrontar, porque eu sei que você vai fazê-la passar.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Começa com "o" e termina com "amor da minha vida"


Depois de tudo o que passou eu vejo que esse amor é sincero, que ele realmente existe,
porque a gente não existe mais, mas ele continua ai, inteiro e totalmente pra mim.
Mesmo a gente não existindo mais, eu e você sendo nada mais do que eu e você sem mais,
sem ser um, apenas sendo o que somos ele continua ali.
Amor de amantes, de amigos, de irmãos, de protetor, de salvador, de ombro pra chorar, amor.
Esse é o que ficou, é o que sempre existiu, é o que nunca vai mudar.
Porque eu e você, a gente precisa um do outro, mas é esse amor, esse amor de ser o que precisar ser
apenas por amar, isso é o importante, porque eu sou o tipo de amor que você precisar pro momento.
Porque eu sou o seu amor, o seu ombro, seu salvador, e sou tudo isso sendo o seu amor.
O seu lugar nunca vai sair daqui, sempre será seu, ninguém vai tomar ele de você, porque eu aprendi que você é o meu amor,
tanto quanto eu sou o seu. Seu lugar está guardado, escondido dos olhos dos outros, mas continua em mim,
não ouse ocupar o meu lugar, que eu prometo manter o seu intacto, sem jamais deixar de viver por conta disso.
Por o meu amor, ah, o meu amor não é assim, ele curte, ele vive, ele sente, e ele é meu, mesmo não me pertencendo,
é meu, meu lugar, meu amor, qualquer amor, apenas por ser meu, sem ninguém tirar.
Porque eu confio em você, você não vai deixá-lo morrer.
Porque você é aquilo que começa com "o" e termina com "amor da minha vida" e isso, ninguém jamais vai tirar de você.

domingo, 21 de abril de 2013

Meu desapego é rei.

Não sinto mais sua falta,
Não me faz diferença,
Desapeguei.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Meio amargo

Eu não queria escrever sobre você, na verdade eu só queria conseguir parar de pensar em você, queria acabar com esse gosto amargo de cigarro que insiste em voltar para a minha boca toda vez que você insiste em aparecer em meus pensamentos, e admito, não passo um segundo do dia sem esse gosto amargo na boca.
Porque como você disse, eu só gosto de você porque você é como meu chocolate preferido, meio amargo, e fazia jus a comparação, deixando seu gosto amargo a cada beijo, aprendi a gostar disso, me resta aprender a esquecer.
Eu não consigo mais olhar para o céu estrelado de noite, ou ficar mais de dez minutos na minha cozinha. É estranho ficar perto dos meus amigos quando eles estão brincando com as suas brincadeiras, ouvir as músicas que eu te fazia ouvir, ver os roxos pelos meus braços, marcas de você, mas o pior de tudo é olhar para mim e sem pensar, ver você.
Tá difícil entender que você não vai voltar, me sinto desamparada, desprotegida, vulnerável, e não tem nada que eu possa fazer.
"Vai, sem duvidar, mas se ainda faz sentido vem."


E eu fiquei assim, como esse texto: sem sentido, sem você, só com o fim, de gosto amargo.
                                                                                                 
                 
                                                                                                                               15/04 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Observando estrelas

Elas estão ali, estrelas. Estão por aí a mais tempo do que eu, ou você. Eu não as entendo, só admiro-as à distância, como até pouco tempo atrás fazia com você. Como as estrelas eu te admirava de longe, querendo te ter por perto.
Muitas vezes me peguei olhando para as estrelas e pensando em você, imaginando se estaria admirando o céu também, se estaria olhando para a mesma estrela que eu.
Você se tornou meu céu, meu motivo de ver estrelas todas as noites, tomou conta do meu pensamento sem eu perceber.
E como todas as coisas que vem fácil vão fácil, você partiu, me deixou, e levou contigo as estrelas da minha noite, meus pequenos pontos iluminados de um fundo escuro, meus sorrisos. E você me perdeu, sem ao menos ter-me uma única vez.
Agora estou colando as minhas estrelas no meu céu, elas estão brilhando sem nenhum rastro seu, esse é meu adeus.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Eu pulso, tu pulsas, nós pulsamos.

Em uma cálida noite fria e chuvosa, depois de já ter perdido a esperança, ter perdido a vontade, ter me perdido, eis que surge você. Com um pequeno gesto carinhoso e aconchegante, assim como a chuva que caia lá fora.
E mesmo que por um instante senti de novo aquele acelerar de coração que achei que havia perdido. É um coração que ainda está machucado, receoso, mas recusa a deixar-se morrer, então levanta a mão e pede:
- Garçom, uma dose dupla de atenção!
E eis que você aparece e logo trás consigo carinho e sorrisos, você está cuidando do coração, lhe dando atenção, ensinando a não desistir só porque está ferido e dói voltar a bater.
E eu estou aqui segurando a sua mão e reaprendendo a sorrir.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sobre tudo e todos, sobre nada e ninguém.

Não sou nada e nem ninguém, estou longe de conseguir me entender, ou me entendo e não sei. As horas estão erradas, passando sem ao menos eu ver, me ver. Estou perdendo tempo, o tempo que não é nada e ao mesmo tempo é tudo. Tudo tão vazio, tão sem ninguém e repleto de pessoas, esperanças perdidas, saudades doídas, cortes sangram sem dor. Vazio querendo ser preenchido, pessoas indiferetes são as que mais sentem, sofrem, só não demonstram. Paixões.

#NoName


Adoro seu ciúmes de tudo, de todos, de qualquer coisa, de qualquer grão de areia fora do lugar. Gosto do jeito que você tenta demonstrar que está tudo bem mas que por dentro acha desnecessário eu respirar perto de qualquer pessoa que não seja você.
Gosto de como cuida, como sente falta, como demonstra não estar nem aí. Sou chata, irritante e insuportável, mas é incrível que nem isso te afastou ainda, por isso eu falo, peço e suplico de joelhos se necessário: Não vá embora não, estou gostando de te ter por perto, me ature um pouco mais, eu só preciso achar meu lado carinhoso mais uma vez, uma  pessoa o destruiu há algum tempo, tenta me concertar? Me faça viver de novo. Seria legal te ter por perto, te ter pra mim.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Sobre sentir falta.

Sinto falta de quem já se foi,
De quem não vejo há tempos,
De quem nunca vi;

Sinto falta de dias nublados,
Do tempo molhado,
Do sono involuntário;

Sinto falta dos dias felizes,
Dos risos e sorrisos sem preocupações,
De ser feliz sem ter que tentar,
Apenas por ser;

Sinto falta.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

"Metade de mim agora é assim, de um lado a poesia o verbo a saudade, do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim.
E o fim é belo incerto... depende de como você vê. O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só... Só enquanto eu respirar vou me lembrar de você, só enquanto eu respirar.."